Mas ninguém se lembrou de ensinar a fórmula para deixar as coisas realmente para trás, de matar as lembranças que ressurgem e se fazem presentes... no presente.
Os degraus não são menores porque estão abaixo do topo, só estão mais atrás.
Mas nem adianta olhar para frente, porque o que pesa mesmo é aquela nuvem – ou temporal – que volta e meia se faz real no caminho.
Quando as lembranças são suas, até fica fácil de lidar. Impossível é apagar a memória alheia.
Quando se escolhe alguém para ser seu, deve lembrar que ninguém será seu, porque mal se tem a si mesmo. Outros passaram, quem sabe outros virão.
Fica combinado, cada um mantém seu baú fechado, e deixa a chave longe... dos olhos dos outros. A gente entrelaça pernas e finge que virou um só, em caminhos diferentes, no presente, ou no futuro, mas nunca a sós.

"O tempo, na sua marcha, utiliza e destrói o que é temporal. Também nele
existe mais eternidade no passado que no presente. Valor da história
efectivamente cumprida, semelhante à da recordação em Proust. Deste modo, o
passado apresenta-nos qualquer coisa que é, simultaneamente, real e melhor que
nós, e que pode empurrar-nos para cima, coisa que o futuro nunca faz."
- Simone Weil, in 'A Gravidade e a Graça' -


2 comentários:
OU, ao invés de trancar o passado - seu e o alheio - num baú, pode-se tentar compartilhá-lo, na medida do possível.
Quem sabe não dá certo?
Se um dia descobrir como fazer partes do passado sumir, me avisa. Bju
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